Amor e Sorte
A
sorte está ligada as pessoas que encontramos em nosso caminho. Temos o
livre-arbítrio de nos ligarmos a elas ou não, mas todas têm um motivo para
passarem e estarem em nosso destino.
Costumamos
ouvir uma frase muito repetida e verdadeiramente conflitante: “azar no jogo,
sorte no amor”. Duas palavras unidas por meio de uma frase de sintonia
contrária ao legado carregado em seus significados. Antagônicos são o azar e a
sorte; duais o amor e o jogo, opostos dentro do que se limitam dentro de um
senso de qualificar e classificar o que é sorte e a ausência dela.
Pelo
fato de o jogo ser uma dança de contrastes e equiparações, ritmos e
intensidades diferentes, e o amor trazer um propósito oposto, ambos se
complementam. O jogo, ao invés do equilíbrio de vibrações tão presentes no
amor, é a total interferência da frequente sensação de completude trazida por
tal sentimento.
Não
podemos nos sentir jogando no amor. Sua realidade é simples e não precisa de
grandes questionamentos ou ilusões, de um alimentar diário de testes e internos
duelos transferidos no outro e ressaltados no que vemos ao olhar o espelho de
nós mesmos refletidos nos olhos de quem está tão vazio como nós. Esse é o maior
jogo inventado por nós, humanos: iludir ao outro enquanto o disfarce que vestimos
é nosso próprio vazio.
Jogando
e não amando, seguem os cegos de si mesmos. Existe então dentro desse caminho
uma grande representação do azar, que ocorre quando colocamos no outro a culpa
do nosso espaço não preenchido e das inspirações e sonhos não realizados.
Validar nossa falta de prosperidade em nossas relações é tão comum como a
atmosfera que criamos para fazer de tudo um eterno conflito. Jogamos tanto e
acabamos não amando.
A sorte é criada pela situação e ação
que cada um verte na fonte da qual se nutre.
A
crença dessa mistificação sobre ter algo e perder o restante é construída para
nos darmos conta de que a vida oscila e o que temos agora pode se transformar,
desaparecer, morrer, bem como renascer em algo renovado.
A
sorte não é única, assim como o amor, o azar e o jogo. Somos muitas fases e
passagens. Somos pontes e o rio que passa abaixo se modifica a cada nova chuva.
Assim convido para este momento a sorte e o amor, ambos unidos pelos laços das
relações, sendo a sorte representada pelo merecimento e entrega de cada um. O
amor nos acolhe e fortalece para que prossigamos em nosso trajeto ; o caminho e
o caminhar.
Para
toda e qualquer sorte ; amor. Sempre amor.



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